A Alegria de Ensinar

Ensinar é preciso primeiramente ter prazer e fazer com que os alunos sintam prazer igual a que o educador sente, se isso não acontecer o educador terá fracasso em sua missão.
Os técnicos em educação desenvolveram métodos de avaliar a aprendizagem e a partir dos seus resultados classificam os alunos, mas ninguém jamais pensou em avaliar a alegria dos estudantes mesmo porque não há métodos objetivos para tal. Porque a alegria é uma condição interior, uma experiência de riqueza e de liberdade de pensamentos e sentimentos. A educação, fascinada pelo conhecimento do mundo, esqueceu-se de que sua vocação é despertar o potencial único que jaz adormecido em Cada estudante. Daí o paradoxo com que sempre nos defrontamos: quanto maior o conhecimento, menor a sabedoria.
Atualmente dizem que a educação mudou, mas na realidade a letra mudou, mas a musica continua a mesma, claro que há respostas certas e erradas. O equivoco esta em ensinar ao aluno que é dito a ciência, o saber, a vida são feitos. E, com isto, ao aprender as respostas certas, os alunos desaprendem a arte de se aventurar e de errar sem saber que para uma resposta certa, milhares de tentativas erradas devem ser feitas. Talvez haverá um dia em que os alunos serão avaliados também pela ousadia de seus vôos.
Drummond, no poema que escreveu para o seu neto, dizia-lhe que muitas leis lhes seriam ensinadas, leis que deveriam ser esquecidas para que ele pudesse aprender leis mais altas. A cigarra tem de abandonar troncos das arvores a sua vida subterrânea a fim de se tornar um ser alado.
A miséria da educação não aparece onde ela é pior. Sua miséria se revela justamente onde ela é excelente. Pois, quando é que dizemos que ela é excelente? Justamente ali onde ela consegue, com competência, “administrar a qualidade’’dos corpos que ela deseja transformar.
Em relação as nossas crianças é normal vê-los como aquelas que precisam ser ensinadas, seres inacabados que, a semelhança de Pinóquio só se torna pessoas de carne e osso depois de serem submetidas as nossas artimanhas pedagógicas, os nossos mestres precisam se transformar em aprendizes, e que os adultos se disponham a aprender das crianças.
O corpo de uma criança é um espaço infinito onde cabem todos os universos, quanto mais ricos forem estes universos, maiores serão os vôos da borboleta, maior será o fascínio, maior será o numero de melodias que saberá tocar, maior será a possibilidade de amar, maior será a felicidade.
O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar esquecido.
E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar aprende a se apoiar sobre os seus pés. Também a criança, antes de aprender a voar, tem que aprender a caminhar sobre a terra firme. Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber.
O se ensina nas escolas é marchar. Caminhar com passos firmes. Não saltar nunca sobre o vazio. Nada dizer que não esteja construído sobre sólidos fundamentos. Mas, com o aprendizado do rigor, você desaprendeu o fascínio do ousar. E até desaprendeu mesmo a arte de falar. Na idade media os pensadores só se atreviam a falar se solidamente apoiados nas autoridades. Continuamos a fazer o mesmo, embora os textos sagrados sejam outros. Também as escolas e universidades têm os seus papas, seus dogmas, suas ortodoxias. O segredo do sucesso na carreira acadêmica? Jogar bem a boca de forno, a aprender a fazer tudo o que seu mestre mandar.
Agora o que desejamos é que você aprenda a dançar. Lição de Zaratustra, que dizia que para se aprender a pensar é preciso primeiro aprender a dançar. Quem dança com as idéias descobre que pensar é alegria. Se pensar lhe da tristeza é porque você só sabe marchar, como soldados em ordem unida. Saltar sobre o vazio, pular de pico em pico. Não ter medo da queda. Foi assim que se construiu a ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham. Todo conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra.
As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar. Os profissionais da educação pensam que o problema da educação se resolvera com a melhoria das oficinas: mais verbas, mais artefatos, técnicos, mais computadores. Não percebem que não é ai que o pensamento nasce. O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente do pensamento é o sonho. Por isto os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor.

Bibliografia: ALVES, Rubem Azevedo A alegria de ensinar. – São Paulo: – Ars Poética, 1994.

BRUNA COLT
MAGNA ARAUJO
VANUSA FERREIRA
LUCIENE
JULIANA
ROSANE

Uma resposta to “A Alegria de Ensinar”

  1. Prof. Leandro Says:

    Parabéns pelo texto …lindo..que o amor permaneça…

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